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Nenhuma mulher é feliz.

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amelie (5)Sabe porque te escrevo? Pra te dar notícias de mim. Pra quando bater aquela saudade que bate em mim,  você possa encontrar muito do meu mais íntimo escrito aqui. Pra você lembrar de como é ficar do meu lado, ao lado de uma louca que reclama diariamente o fato de estar acima do peso e que se entope de chocolate pra vida ficar mais doce. E a vida não fica.

Eu escrevo pra eternizar meus diabos. Pra guardar em uma capsula todos meus momentos dessa passagem na terra que a gente chama de vida. Dia após dia. As noites tem se confundido com as madrugadas e as manhãs quase não passam nessa sala, que eu insisto em chamar de apartamento. A minha agonia aqui era encher de móveis e agora é de achar tudo pequeno e cheio demais. Esses dias me vi assistindo todos os documentários das pessoas mais cruéis que eu já tinha ouvido falar. Na verdade que a tv tinha resolvido me contar. Tentei ao máximo me encher de informações da crueldade alheia e como as pessoas que passaram por aquilo continuaram fortes. Eu não consegui ver a mínima graça. Alias, não tenho visto a mínima graça em nada. Exatamente nada.  Eu só queria me sentir viva, vendo a morte dos outros. Antes era tão legal ver a vida e como ela se movimentava. As dificuldades, as limitações, os desafios… tudo,tudo era incentivo pra uma vida nova. Pra uma esperança e pra minha luz reluzir em alguma coisa e eu me senti mais especial que as outras pessoas.

De certa forma nada disso mudou, ainda me sinto  mais especial que as outras pessoas. E eu acho perfeitamente normal. Todo mundo se sente assim, não é? Mas sinto um vazio completamente novo. Estou mudando de fase. Ando me cobrando muito e ando com muito mais vontade de fazer nada. Ficar preza aqui tá mais interessante do que fazer qualquer coisa com a minha vida. Qualquer coisa MESMO e o mais engraçado é como ficar aqui tá sendo a pior coisa do mundo pra mim. Daí você tira como tá sendo esses primeiros dias. Comer é a coisa que mais me deixa feliz e a coisa que mais me prende aqui.

Setembro, 16, 2010

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Bom dia, você provavelmente não vai ler isso, na real, espero mesmo que nunca veja. Só queria escrever pra tirar isso de mim, sem ter que falar diretamente com você. Ontem foi dia de arrumação aqui em casa e acabei encontrando uma carta sua, dentro de um livro, bem escondida pro Felipe não ver, já que fotos não me restaram nenhuma, afinal aquele babaca me fez apagar tudo que não fosse ele/dele. 
E foi reconfortante encontrar aquela carta, não que eu sinta sua falta, ou que por um momento tivesse ficado perto de você, longe disso… Mas ler novamente aquela carta datada no dia 16 de setembro de 2010 me fez perceber que eu não estou errada de ter MUITA raiva de você. Ela foi escrita na verdade no dia 15, nos sentimentos do dia 15, logo apos eu ter te contado um segredo, detalhado de algo muito importante da minha vida. E é muito bonito ver como você finge se comover com tudo que te contei. O mais irônico é notar que você usa as palavras: “segredo”, “amizade”, “confiança” e ao ler aquela carta notei que, claro… eu tenho sim um motivo de ficar muito magoada. Honestamente até gostaria que você lesse novamente, só pra provar que eu … quer saber? Deixa pra lá. Eu gostaria realmente de não me importar. Mas tenho disso, tenho essa fraqueza de lembrar de algo que me deixa triste e sofrer, como no momento que descobri. Não devia se quer ta escrevendo isso, mas preciso joga pra fora de alguma forma.
Você só foi mais um babaca mesmo.. 

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